Fazer DDS contribui para a prevenção de acidentes, mas como fazer DDS eficaz ? Parece simples, mas não é.

Com essas dicas

O diálogo de segurança no trabalho é basicamente uma conversa… mas não subestime a sua importância!!

Esse diálogo, quando realizado diariamente, é chamado de diálogo diário e recebe a sigla DDS.

Quando realizado semanalmente, é chamado diálogo semanal e recebe a sigla DSS.

Geralmente cada empresa dá um nome diferente, mas nesse artigo vou usar a sigla DDS porque é a mais comum.

Apesar de ser “somente” uma conversa, tem objetivos muito importantes dentro da empresa.

O DDS serve para despertar no colaborador a percepção a respeito das suas atividades diárias e seus respectivos riscos.

Não se limita à temática de segurança no trabalho, também envolve o meio ambiente e a saúde, no que diz respeito a doenças que podem surgir com a sua rotina diária.

Infelizmente, alguns gestores pensam que o DDS é “perda de tempo” … o que é um erro!

Em geral, o DDS demora de 5 a 15 minutos diários (antes da jornada de trabalho) e deixará os colaboradores mais alertas a todos os riscos que ocorrem todos os dias (desde cair de uma escada ou mesmo desenvolver uma lesão por esforço repetitivo, a LER).

Agora que já sabemos o que é o DDS podemos nos profundar mais na temática.

A IMPORTÂNCIA DO DDS

A DDS é uma prática muito importante e poderosa na prevenção de acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao mesmo.

É uma prática que tem ganhado cada vez mais espaço, especialmente nas ocupações em que os riscos são bastante altos, exatamente por conscientizar os trabalhadores das ações de segurança e do seu papel na própria integridade.

Os benefícios dessa prática se apresentarão logo em seguida de maneira bem clara:

Redução nos acidentes de trabalho, uma vez que os colaboradores estarão conscientizados;
Redução dos custos com assistência médica, isso se dá porque a necessidade do uso também diminuirá com os acidentes de trabalho;
Aumento do envolvimento dos colaboradores, uma vez que eles estão em um ambiente que os valoriza, tendo também um impacto positivo na produtividade desses;
Aumento da satisfação dos trabalhadores.

Mas, para alcançar esses objetivos, o DDS deve ser feito de maneira efetiva para que os impactos sejam de fato evidentes.

COMO REALIZAR DDS EFETIVO

Primeiro de tudo, é importante contar com um profissional com experiência, uma vez que o grande diferencial do DDS é seu ministrante.

Será a “fala” dessa pessoa e as ferramentas utilizadas por ela que serão responsáveis por despertar (e manter!!) o interesse do colaborador.

Como eu disse no início, tem várias siglas distintas para DDS:

– Diálogo Diário de Higiene Segurança e Meio Ambiente (DDHSMA)

– Diálogo Diário de Higiene e Segurança (DDHS)

– Diálogo Diário de Higiene, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade (DHSMQ)

(dica: use o campo de comentários no final do artigo para nos dizer que outros nomes você já ouviu para DDS)

Cada área de uma empresa pode ter uma abordagem personalizada para a sua rotina diária, sendo ainda mais relevante para os trabalhadores.

Mas bem, vamos ver como realizar um diálogo de segurança no trabalho…

Primeiro todos os funcionários da empresa devem ser avisados que essa atividade obrigatória está sendo inserida dentro da jornada normal de trabalho e é uma tarefa coletiva.

Também vale ressaltar que é um algo simples e rápido e que sua finalidade é de melhorar a rotina dos colaboradores, assim como aumentar a segurança dos mesmos na execução de suas atividades diárias.

Seguem algumas dicas que podem ser acatadas para a execução do DDS:

1. Deve ser um diálogo rápido

Não adianta tentar fazer um diálogo de horas sobre conscientização e/ou técnicas de segurança se seu público está disperso.

Manter essa prática rápida e direta é uma boa maneira de manter os colaboradores interessados e ainda não atrapalhar a produtividade dos mesmos.

2. Ser objetivo e prático

Como dito antes, ser objetivo e prático nas apresentações é uma boa forma de manter o público interessando.

É possível também trazer exemplos de histórias atuais que cativem a atenção, além de mostrar como aquele conhecimento pode ser aplicado no dia a dia.

3. Use a linguagem certa

Usar a mesma linguagem que do funcionário é um dos pontos mais importantes.

O funcionário deve entender a sua mensagem por completo.

Não adianta ser rebuscado e usar termos técnicos desconhecidos por esses se toda essa informação “entrará por um ouvido e sairá por outro”.

Além disso, é extremamente desinteressante para um público esforçar-se para entender uma mensagem que poderia ser bem mais simples.

4. Organização das reuniões

Caso não seja uma conversa diária, é interessante deixar todas as datas e assuntos que serão abordados nos diálogos de segurança no trabalho bem expostos e com fácil acesso.

5. Palestrantes especializados

Quando for assuntos técnicos, utilize de profissionais que sejam especializados naquele assunto. Você pode chamar membros do SESMT ou até convidar pessoas de fora da empresa.

Isso traz credibilidade e também aumenta o interesse da plateia no assunto tratado.

6. Feedback

Sempre que terminar o DDS, deixe pelo menos alguns minutos para que os colaboradores possam retirar suas dúvidas acerca daquela temática e deixar sua opinião a respeito das reuniões como um todo.

Dessa forma, a própria organização desses encontros pode ser otimizada.

7. Documente tudo

Alguns sempre falham nesse quesito.

Documentar tanto o assunto que foi tratado quanto as sugestões dadas pelos funcionários é de extrema importância para que esse espaço realmente cumpra a sua finalidade, que é aumentar a segurança dos colaboradores e promover entendimento.

E não se esqueça de coletar as assinaturas dos presentes.

8. Varie os temas

Não adianta todo dia ficar falando do mesmo assunto. É importante variar os temas. E isso geralmente é complicado.

Para poupar tempo na hora de buscar temas de DDS, recomendo o web-site DDS Online. No DDS Online você encontra centenas de DDS organizados por categorias.

Você pode também se cadastrar no DDS Online para receber DDS por email.

Seguindo em frente…

Uma ótima dica para fazer DDS interessante é trazer experiências de outros lugares para a discussão.

Normalmente vemos que essas reuniões focam nos problemas da empresa e o que pode ser feito para resolver.

Trazer situações que deram certo em outras empresas pode ser uma ótima maneira de prender a atenção dos colaboradores e também fazer desse um espaço realmente educativo.

Veja 4 dicas para que você finalize o DDS com sucesso:

Motive seus colaboradores: colocar a responsabilidade da mudança na mão dos funcionários é uma ótima maneira de motivá-los, uma vez que a chave da mudança serão os próprios;

Frases marcantes: todo apresentador tem aquele pequeno arsenal de citações marcantes de filósofos ou outros indivíduos para dar sustento às próprias falas. É uma ótima maneira de encerrar uma apresentação;

Revise o que foi passado: se terminou uma apresentação sobre protetores de ouvido um bom término seria revisar bem rapidamente todos os “porquês” por trás de seu uso e seus tipos.

Incentivar a aplicação: ao finalizar uma apresentação de DDS o apresentador pode incentivar seus ouvintes a utilizar os novos conhecimentos IMEDIATAMENTE, uma vez que as reuniões costumam acontecer antes do dia de trabalho.

Agora que você já tem todas as dicas do que fazer para realizar DDS eficiente, agora vamos ao que NÃO fazer!

ERROS QUE SÃO COMETIDOS EM APRESENTAÇÕES

O DDS quase sempre tem o formato de uma palestra ou até mesmo uma curta aula.

Nesses casos, as regras gerais do que não fazer em apresentações se aplicam.

1. Nunca se inicia uma apresentação pedindo desculpas

Primeiro, se iniciar uma apresentação já pedindo desculpas por algo que não aconteceu da forma que deveria, ou qualquer outro motivo.

Ali a credibilidade do apresentador já começa a cair, assim como a atenção do seu público.

Além disso, os colaboradores ficam preparados para notícias ruins.

Ninguém que começa uma conversa pedindo desculpas fez algo certo ou bom, correto?

Então, sempre começar as apresentações com um tom positivo.

2. Usar muito texto nos slides

Nada tira mais a atenção do público que slides e mais slides de texto.

Não é necessariamente interessante e também não chama a atenção.

Usar imagens, fluxogramas e infográficos são mais didáticos que texto corrido.

Só não vale jogar imagens aleatórias e sem sentido com o tema discutido, tem o mesmo efeito que textos gigantes.

3. Falta de roteiro

Outro matador de apresentações é a falta de roteiro.

Este é essencial para que todas as informações sejam passadas de forma coerente e coesa e não causem mais confusão que esclarecimento.

Falamos bastante sobre o que fazer e não fazer nos diálogos de segurança, independentemente do ramo de atuação da empresa.

Sua importância é evidente, essas simples reuniões podem criar uma cultura de segurança que podem salvar vidas e evitar que pessoas desenvolvam doenças ocupacionais graves ou se acidentem de forma definitiva.

Agora você já sabe a importância da DDS e o que fazer e o que não fazer para torna-la efetiva.

Agora, como avaliar seus resultados?

Trataremos disso no próximo tópico.

COMO AVALIAR A EFETIVIDADE DO DDS

Não adianta seguir tudo o que falamos acima e ainda assim não se preocupar em avaliar a efetividade das ações.

Cada empresa é única, assim como seus colaboradores, e todas as ações precisam ser adaptadas para pessoas e cenários específicos.

O que deu certo em uma empresa, não necessariamente se aplica a outra.

Suponhamos que o DDS tenha sido efetivo e os colaboradores foram devidamente sensibilizados pela importância da segurança no trabalho.

Como saber se isso aconteceu mesmo?

Primeiro de tudo é observação.

O gestor deve ir ao local de trabalho dos seus colaboradores e avaliar se estão usando seus equipamentos de proteção individuais (EPIs), se estão fazendo determinado exercício desenvolvido para evitar doenças ocupacionais, se estão seguindo os procedimentos etc.

Ao perceber que em nenhuma das visitas os colaboradores estavam seguindo as instruções passadas no DDS, deve-se realizar uma intervenção para que seja entendido o motivo.

A partir daí que o trabalho de avaliar a efetividade sai do qualitativo e entra no quantitativo.

Quantas vezes foi necessário fazer intervenções naquele determinado setor sobre atitudes que não condizem com as normas de segurança da empresa?

Isso deve ser muito bem documentado pois se pode realizar um levantamento da frequência das intervenções antes e depois dos diálogos de segurança no trabalho.

Também sendo uma ótima ferramenta para avaliar a capacidade de sensibilização e empoderamento das DDS, sendo possível realizar ajustes na abordagem para melhorar sua eficiência.

Se tem foco no uso de EPIs, ao entrar no ambiente de trabalho, é possível ver gradativamente menos funcionários desrespeitando essa norma de segurança, isso quer dizer que a abordagem está sendo efetiva.

Além disso, você ainda pode cruzar dados de quais abordagens estão sendo mais eficientes utilizando o histórico dessas e número de intervenções em campo, por exemplo.

E se sua abordagem deu totalmente errada e não houve sensibilização?

Bem, é sempre importante contar com profissionais mais que capacitados na área em questão para que as abordagens sejam realmente significativas.

É importante ressaltar que as DDS são reuniões de 5 a 15 minutos que podem ajudar a salvar vidas a depender dos tipos de risco que estão presentes nas ocupações.

Além de ajudar a melhorar o ambiente institucional, com uma política que realmente se importa com o bem-estar dos colaboradores.

DDS efetivos também tem diversas vantagens para a empresa.

Investir em práticas que elevem a segurança não é um gasto, mas sim um investimento que se prova bastante positivo em ambos os lados: empresa e colaborador.


Herbert Bento
Herbert Bento

Esse artigo foi publicado pela Equipe da Escola da Prevenção. Gostaria de debater conosco sobre esse assunto? Então venha conversar conosco no Grupo Elite da SST no WhatsApp.