Nesse artigo vou te dar 6 argumentos que ensinam como fazer a empresa investir em segurança do trabalho.

Todos nós queremos voltar vivos e com 100% da nossa saúde para casa, não é?

Por isso, a segurança do trabalho é imprescindível. Ela é crucial para a empresa e sobretudo para o trabalhador.

Mas, infelizmente, é difícil fazer a empresa entender e aplicar isso.

O objetivo desse artigo é ajudar você que precisa ter argumentos para convencer a empresa a investir em segurança do trabalho.

Pode parecer inacreditável, mas há empresas que não estão tão convencidas da extrema importância da segurança do trabalho.

Muitas delas consideram algo sem grande relevância, fazendo somente o mínimo, o básico de segurança … se fizer …

De modo geral, as empresas mostram alguma resistência, ao menos inicial, em aplicar os elementos de segurança do trabalho.

Não são todas, há nobres exceções, mas pela minha prática não é o caso da grande maioria.

Então, que argumentos devemos usar para convencer a empresa a investir em segurança do trabalho?

Será que investir em segurança do trabalho dá lucro para a empresa?

Nesse artigo espero te ajudar com alguns argumentos que você poderá usar.

Argumento 1 – Sanções, penalizações e multas

A segurança do trabalho é algo que existe há séculos.

Mas, foi com a Revolução Industrial, onde as condições de trabalho eram precárias, que o assunto começou a ganhar relevância porque a quantidade de trabalhadores que adoeceu chamou a atenção da sociedade da época.

Foi quando surgiram as primeiras normas e regulamentações sobre o tema.

Com o tempo, isso foi progredindo e atualmente há inúmeras leis e normais que regulamentam a segurança do trabalho.

Há um conjunto de requisitos mínimos de segurança que toda empresa que emprega trabalhadores deve possuir, chamadas de Normas Regulamentadoras.

Por lei as empresas são obrigadas a proporcionar um mínimo de segurança no local de trabalho. Isso vai desde itens estruturais, como a própria arquitetura do imóvel até a ergonomia de equipamentos e ferramentas usadas.

O imóvel em que a empresa se situa, por exemplo, precisa ter uma estrutura física em boas condições, além de apresentar uma disposição e organização de espaço que favoreça a segurança do trabalhador enquanto o mesmo efetua a sua atividade.

Devem ser fornecidos também equipamentos de segurança pertinentes a cada função, por exemplo, os famosos EPI (equipamento de proteção individual).

Também é recomendado que a empresa faça auditorias e controles internos, além é claro de contratar um profissional de segurança do trabalho, que é especializado nessa área.

Mas infelizmente, nem sempre a empresa cumpre corretamente esses requisitos e muitas vezes ela não fornece qualquer tipo de segurança dentro do local de trabalho.

Dessa forma, os trabalhadores dessa empresa ficam expostos aos riscos que são presentes e aí podem acontecer acidentes fatais (quando há óbito), amputações, eletrocussões, esmagamentos ou doenças ocupacionais, que são aquelas doenças que se originam devido a atividade laboral.

Quando uma empresa começa a apresentar um índice muito elevado de acidentes de trabalho ou ainda um contingente muito alto de pessoas com doenças ocupacionais, isso fica visível não só internamente, mas obviamente fora da empresa também.

Os altos índices de acidentes chamam a atenção das Delegacias Regionais do Trabalho (DRT).

Logo logo a a empresa começa a sofrer um controle maior por parte das autoridades e por conta do maior número de fiscalizações, acaba recebendo bem mais multas.

Há uma série de itens dentro das NRs que, em caso de descumprimento por parte da empresa, pode gerar um grande número de multas e, com isso, a empresa acaba tendo uma elevação de custos e gastos e bem pesados.

Com isso encerramos o argumento 1, agora vamos ao 2.

Argumento 2 – aumento do custo com o FAP

Mas o que é o FAP?

Toda empresa é obrigada a pagar 20% para a Previdência Social em cima do valor total das remunerações que são pagas para os trabalhadores segurados que estão empregados naquela empresa e também para os trabalhadores avulsos.

Além desses 20%, ela tem que pagar de 1 a 3% a mais, de acordo com o grau de risco que a sua atividade econômica pode apresentar.

Ou seja, dependendo do grau de risco que a atividade oferece, a empresa tem que pagar um valor a mais para a Previdência, o chamado Fator Acidentário de Prevenção, o FAP.

Sendo assim, o FAP é um índice aplicado sobre a Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa (GIIL-RAT) oriunda dos riscos ambientais do trabalho.

Quanto menor o risco que o local de trabalho oferece, menor a contribuição, ou seja, menor vai ser o FAP pago em cima da Previdência.

Em outras palavras, se o local de trabalho é mais seguro, ele terá um custo de FAP menor.

No entanto, se a empresa oferece um grau de risco maior, o FAP a ser pago é maior e obviamente, o valor a ser gasto com impostos acaba sendo muito maior.

E o índice de acidentes influencia no % do FAP. Mais acidentes ou adoecimentos, maior o % do FAP.

Em outras palavras: se uma empresa não investe em segurança do trabalho, o número de acidentes aumenta, o local de trabalho se torna mais perigoso.

Por conta disso, o FAP vai aumentar, gerando mais custo$$$ para a empresa.

Esse foi o argumento 2, agora vejamos o argumento 3.

Argumento 3 – ações regressivas do INSS

Suponhamos que tenha havido algum tipo de acidente ou doença ocupacional com algum trabalhador, há algum tempo no passado, por conta de uma falha da empresa no quesito da segurança do trabalho.

O INSS vai pagar todos os auxílios e indenizações devidas ao trabalhador.

Mas, depois, pode fazer uma ação regressiva cobrando esse custo da empresa.

O racional que o INSS segue é que a empresa poderia ter evitado o acidente ou doença caso cumprisse os requisitos legais.

Sendo assim, a empresa precisa seguir as normas que regulamentam a segurança no trabalho e aplicar todas as medidas necessárias para ser capaz de garantir toda essa segurança.

Caso contrário, em caso de acidente ou doença, precisará provar que realizou tais medidas para dirimir ou eliminar a ação regressiva.

Argumento 4 – processo judicial movido por trabalhador

Já sabemos que a empresa deve implementar a segurança ocupacional.

Já sabemos que um trabalhador em boas condições de trabalho é muito mais produtivo (mais produtividade é igual a mais lucro).

Mas, e se a empresa não pensar na segurança dos trabalhadores, estiver pouco se importando se as condições do local de trabalho são adequadas, se considerar que segurança do trabalho é algo tolo e sem utilidade?

Nesses casos, aumenta-se a probabilidade de acidentes e doenças ocupacionais.

Quais as consequências disso?

Já falamos nos argumentos anteriores.

Mas há algo de ruim que também pode acontecer: processos judiciais, por conta desse menosprezo, por conta do descumprimento da lei.

Quanto menos uma empresa se preocupa com segurança do trabalho, mais processos judiciais ela irá levar e maiores penalidades e multas ela irá sofrer.

Quer mais um argumento?

Argumento 5 – elevado número de faltas

O ato ou prática constante de falta no trabalho é chamado de absenteísmo.

Quando um trabalhador começa a faltar mais, isso aumenta o índice de absenteísmo.

Se um trabalhador sofre algum acidente no ambiente de trabalho ou é acometido por alguma doença ocupacional, ele acaba precisando se ausentar do trabalho por um período de tempo.

Essas faltas, desde que justificadas corretamente, não podem e nem devem deixar de serem pagas aos trabalhadores. Ele apresentando os comprovantes e documentação necessária, essas faltas não podem ser descontadas do salário do trabalhador.

Além disso, quando um trabalhador falta, a produtividade dentro da empresa cai. Afinal, cada funcionário é responsável por uma certa parcela da produção.

Ou seja, em outras palavras, quanto maior o índice de acidentes ou doenças ocorridas dentro da empresa, maior será a incidência de faltas por parte dos trabalhadores.

A empresa muitas vezes fica relutante em investir em segurança do trabalho por achar “caro”, desnecessário, um “desperdício”, mas esse custo investido na segurança sempre tem um bom retorno, em todos os sentidos.

Vale a pena ressaltar ainda que, por conta das faltas que ocorrem, a empresa vai precisar, para manter o seu nível de produtividade, aumentar ainda mais o ritmo de trabalho e também fomentar a prática de horas extras.

No entanto, aumentar ainda mais o ritmo de trabalho, imprimindo um trabalho ainda mais veloz, pesado e intenso e aumentar a quantidade de horas trabalhadas, vai impactar enormemente e de maneira negativa a segurança e principalmente a saúde do trabalhador.

Ou seja, é um círculo vicioso: a carência de investimento em segurança do trabalho causa acidentes e doenças; essas doenças e acidentes laborais, por sua vez, vão acarretar, um aumento no número de faltas; essas faltas vão fazer com que o nível da produção caia; a queda no nível de produtividade instiga as empresas a aumentarem o ritmo e a quantidade de horas trabalhadas; a sobrecarga em cima dos trabalhadores vai gerar mais acidentes.

Vamos ao último argumento?

Argumento 6 – mancha a imagem da empresa

O que constrói a imagem de uma empresa?

Essa é uma pergunta complexa, pois há uma infinidade de fatores. Não há um único fator que sozinho seja capaz de tal feito, mas sim um conjunto deles.

Entre as diferentes coisas que podem impactar a imagem da empresa está o modo como ela trata seus funcionários.

Uma empresa preocupada com sua imagem vai procurar zelar por seus colaboradores, proporcionando benefícios e vantagens, e vai pensar no seu bem-estar dele e satisfação.

Uma empresa preocupada com sua imagem quer funcionários satisfeitos, realizados, com integridade física e mental e com boa saúde.

Mas porquê ?

Porque isso é sinônimo de mais lucros, que vem com produtos/serviços de mais qualidade.

Porque a imagem da empresa é algo que é visto também externamente, pelo mercado, e também faz com que mais pessoas queiram fazer negócios com aquela empresa.

E uma parte significativa desse tratamento positivo dos funcionários por parte da empresa é o investimento em segurança do trabalho.

Quando uma empresa cumpre as determinações constantes nas leis e normas de regulamentação da segurança do trabalho e investe de forma consistente e constante nesse aspecto, isso vai gerar resultados positivos não só em termos de lucro e produtividade, mas de satisfação, bem-estar e vai melhorar significativamente, de forma positiva, a imagem da empresa.

Agora, se pelo contrário, uma empresa se torna conhecida por causa da enorme frequência e seriedade dos acidentes que ocorrem nela, ela acaba perdendo seu contingente de funcionários.

Não somente aqueles que não vão mais querer fazer parte da empresa, ou melhor, entrar nela, mas vai perder os funcionários que já tem, que procurarão se demitir devido às más condições de trabalho.

Além de sofrer um desfalque no número de trabalhadores, a empresa vai ter impacto negativo na sua imagem. Será menor o número de empresas e pessoas que desejarão fazer negócios com tal empresa.

Outro efeito colateral é: uma empresa ficou “queimada” no mercado por causa da alta incidência de acidentes, sempre que houver fiscalização dentro da empresa, ele será ainda mais rigorosa.

Convencendo a empresa a investir em segurança do trabalho

Nesse artigo eu te dei 6 argumentos.

Agora cabe a você usar isso para convencer a empresa a investir em segurança do trabalho.

Explique para a empresa a importância da segurança do trabalho, usando como argumentos todos os pontos abordados ao longo desse texto.

Exponha os tópicos aqui apresentados de forma clara, detalhada e completa.

Isso vai aumentar suas chances de sucesso porque argumentos que focam no “bolso” do empresário sempre funciona bem.


Herbert Bento
Herbert Bento

Esse artigo foi publicado pela Equipe da Escola da Prevenção. Gostaria de debater conosco sobre esse assunto? Então venha conversar conosco no Grupo Elite da SST no WhatsApp.