(O texto a seguir é de autoria de Luiz Carlos De Martini, da De Martini Ambiental.)

Olá,

Em um quartel militar do Rio de Janeiro havia um banquinho no meio do campo de futebol. Ninguém sabia o motivo, apenas que foi ordem de um tenente e bastava isto para que fosse obedecida, pois ordem é para ser cumprida.

Dias, meses, anos se passaram e os soldados nunca mais puderam jogar bola por causa do banco do tenente. Até que um dia, chegou um coronel transferido para este quartel, onde já havia trabalhado anos atrás, e esclareceu o motivo: quando ele era tenente, no seu último dia de trabalho neste quartel, mandou pintar um banco e colocar para secar no meio do campo de futebol, onde o sol batia forte e não havia ninguém para sentar no banco recém-pintado.

Eu trabalhei muitos anos em uma indústria petroquímica, onde o Wilson, Supervisor de Produção, sempre contava esta historinha de seu tempo de recruta para ilustrar que algumas rotinas poderiam não ser as mais corretas, mas simplesmente formas de trabalhar que foram alteradas sem controle e passaram a ser feitas automaticamente, esquecendo-se da situação inicial.

Sempre que aparecia uma situação potencialmente questionável em relação ao trabalho ou processo, o Wilson bradava: “Isto é banco de tenente!”.

Por exemplo, um equipamento de secagem operava com a temperatura tão elevada que provocou queimaduras nos trabalhadores expostos. A investigação dos acidentes concluiu que, apesar da tecnologia de secagem determinar uma temperatura menor do que a praticada, os operadores aumentaram a temperatura no equipamento de secagem, pois eles preferiam determinadas condições mais cômodas e fáceis para a operação, porém prejudiciais do ponto de vista de segurança do trabalhador e consumo de vapor para aquecer o equipamento.

Esta forma, aparentemente adequada, era um “banco de tenente”, ou seja, uma alteração do processo produtivo que pode até gerar resultados, mas com custos desnecessários.

Neste caso, o retorno à condição original de operação, teve custo zero de implantação, pois foi só diminuir a temperatura do secador, e apresentou benefícios imediatos, com a eliminação do perigo que provocou danos aos trabalhadores e redução do consumo de vapor.

Um modo de investigar a existência de um “banco de tenente” é priorizar a busca de critérios e atividades não previstas na tecnologia do processo e que ocorrem por desvios das condições padrões estabelecidas, ou seja, por motivos variados, as condições de execução da operação são diferentes das condições concebidas originalmente.

O questionamento da maneira de se fazer um determinado processo, e as respectivas modificações necessárias, muitas vezes não são novidades para muitas empresas, mas, por diversos motivos particulares de cada uma, não são postos para funcionar, e assim, os “bancos de tenente” vão se perpetuando.

Mas como evitar que apareçam novos “bancos de tenente”?

A Gestão de Mudanças constitui uma ferramenta indispensável em empresas com Sistemas de Gestão Integrada e garante a realização da análise do impacto da mudança sobre a segurança de processo, meio ambiente e segurança ocupacional, antes da introdução dessas mudanças.

Antes de qualquer modificação deve ser feito um planejamento de modificações, como alteração ou melhoria, inclusive em caráter experimental e que abranja um ou mais dos seguintes assuntos:

  • Procedimentos operacionais que envolvam alterações temporárias ou permanentes de fornecedor de matéria-prima, equipamentos ou tecnologia;
  • Nova tecnologia ou alteração na tecnologia vigente;
  • Mudança nas operações e equipamentos que envolvam alteração da tecnologia, layout ou ampliações;
  • Desenvolvimento de novos produtos ou serviços.

É fundamental que o planejamento de modificações seja feito por uma equipe multidisciplinar, reunindo especialistas nas áreas de segurança de processo, meio ambiente, segurança do trabalho, engenharia e qualidade do produto.

Exemplificando, no planejamento de uma determinada mudança também deve ser consultado o engenheiro de segurança ou o técnico de segurança, que avaliará as interferências da modificação sob a ótica da segurança e saúde do trabalhador.

Infelizmente, em muitas ocasiões o profissional de segurança do trabalho só toma conhecimento da mudança depois que a mesma já foi implantada, quando os custos para correção são inviáveis ou de difícil execução. Neste caso, até imagino como o Wilson diria: “Xiiii… Mais um banco de tenente!”.

Antes de modificar seu processo, consulte a De Martini Ambiental que tem experiência comprovada em Gestão de Mudanças.

AUTOR: Luiz Carlos De Martini Jr.

Desde que seja citada a fonte, o autor permite a reprodução, em qualquer meio, de trechos ou da íntegra deste informativo, sem necessidade de autorização prévia.

Leitura adicional recomendada: Como fazer a empresa investir em segurança do trabalho?


Herbert Bento
Herbert Bento

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Comentários

    5 comentários sobre "Gestão de Mudanças e o Banco do Tenente"

    • De Martini

      Grata surpresa ver o artigo publicado aqui. Lute como um TST!

      • Herbert Bento

        Valeu Martini!

    • Hugo de Mello Portella

      É Herbert nós da área de segurança sempre temos um “banco de tenente” em diversos processos de trabalho da forma daquela indagação “sempre fizemos assim” nem sempre do meio operacional, mas do estratégico, Além da segurança do trabalho, minha formação é administração e sei e afirmo, o administrador é catedrático nos números em cifras e objetiva a produção. Nesta analogia, sempre fica um banco de tenente pois um processo se não bem analisado pode gerar muitos outros riscos ou gargalos de produção, As vezes para melhorar um processo é necessário ver o que tem do outro lado da parede.

      • Herbert Bento

        Olá Hugo. Obrigado por seu comentário.

    • Herbert Bento

      Digite aqui um pouco da sua experiência de vida dentro do tema Gestão de mudanças! Sou eu mesmo que respondo a todos os comentários. Obrigado por participar!

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